Trabalho com aquilo que nem sempre está visível: as narrativas, percursos e aprendizados que sustentam iniciativas socioambientais. A partir da sistematização dessas experiências, transformo dados, metodologias e resultados em informações estruturadas que apoiam análise, tomada de decisão e mobilização de recursos.
Formada em Direito, fui atravessada pelo feminismo comunitário latino-americano e cheguei à comunicação socioambiental. Não por desvio, mas como continuidade: onde o que acredito e o que faço deixam de ser caminhos paralelos para se tornarem a mesma prática.
Foi esse percurso que me ensinou a prestar atenção num intervalo específico: o que existe entre o que acontece nos territórios e o que chega a quem financia, decide e acompanha iniciativas socioambientais.
Esse intervalo não é neutro. Nele, experiências comunitárias perdem contexto e a complexidade das respostas construídas nas comunidades é frequentemente reduzida a soluções pontuais. É também onde a relação entre grupos apoiados, intermediários e financiadores pode se fortalecer ou se fragilizar.
Dedico meu trabalho a encurtar essa distância. Comunico narrativas, dados e processos para preservar o que acontece na ponta, sem simplificar o que é estrutural,
nem despolitizar o que é, por natureza, político.
Esse desafio se repete em diferentes formas de apoio — leis de incentivo, doações, fundos. O que muda são os mecanismos; o que permanece é a necessidade de sustentar confiança ao longo do tempo entre comunicação e ecossistemas de financiamento.
É esse fio que me traz, hoje, ao grantmaking, como quem reconhece, nesse campo, o mesmo propósito que persigo há anos: garantir que as lutas de mulheres, comunidades tradicionais e organizações de base sejam visibilizadas e apoiadas.
Em março de 2025, o Fundo Brasil de Direitos Humanos realizou mais uma edição do Encontro de Projetos, um espaço fundamental de articulação entre 141 organizações apoiadas, presentes em todos os estados e regiões do país. O encontro reuniu lideranças quilombolas, indígenas, ribeirinhas, periféricas e LGBTQIA+, em um ambiente de troca estruturado a partir de quatro eixos: Justiça Criminal e Encarceramento; Representação Política e Resistência; Gênero, Raça e Crise Climática; e Democracia e Justiça Social.
Desafio
Transformar três dias de encontro marcados por centenas de falas, múltiplas agendas simultâneas e a diversidade de territórios representados em inteligência estratégica capaz de preservar a pluralidade das experiências e, ao mesmo tempo, gerar sínteses qualificadas para incidência política, advocacy e mobilização de recursos.
Método
Para dar conta dessa complexidade, foi aplicado o Método TEIA (Tradução Estratégica de Inteligências em Articulação), uma metodologia em quatro etapas, desenvolvida para grande volume de informação em curto espaço de tempo. O objetivo foi organizar os debates de forma estruturada, gerando insumos úteis para financiadores, organizações e articuladores do campo.
Valor gerado
O processo resultou na produção do relatório de 98 páginas, acompanhado de uma versão executiva para parceiros e financiadores.
Insumos para comunicação, incidência e produção de conhecimento | Fortalecimento da capilaridade entre organizações de base | Consolidação de agendas coletivas para advocacy | Qualificação do diálogo com doadores poio à tomada de decisão sobre continuidade das iniciativas apoiadas.
Ficha técnica
Cliente: Fundo Brasil de Direitos Humanos | Direção de Conteúdo e Texto | Parceria Estúdio Adaludem | Ano 2025
Direção de Conteúdo e Texto: Gabriela Campos | Coordenação Geral: Pedro Otavio Cardamone | Projeto Gráfico: Vitor Sepinho | Análise de Dados: Cecília Fico
Textos em parceria com a equipe do Fundo Brasil de Direitos Humanos, sob coordenação de Mônica Nóbrega.
A convite da Fundación PASOS, em 2021, atuei como colaboradora freelancer realizando a documentação do programa Mujeres Meliponicultoras Ecológicas del Chaco Chuquisaca (AMMECH), liderado por mulheres indígenas e camponesas do departamento do Gran Chaco na Bolívia. O projeto se estendia por 20 comunidades rurais de Villa Vaca Guzmán e Monteagudo, em uma região profundamente atravessada pelos impactos da crise climática e pela pressão histórica sobre os territórios tradicionais.
Nesse cenário, a meliponicultura — o manejo de abelhas nativas sem ferrão — surgia não apenas como prática produtiva, mas como uma tecnologia social enraizada nos saberes locais. O programa articulava um conjunto de dimensões que se entrelaçavam no cotidiano das comunidades: a proteção das florestas, o fortalecimento da segurança alimentar, o manejo sustentável do território e a ampliação do protagonismo das mulheres na defesa de seus espaços de vida.
Desafio
A proposta exigia captar dimensões que nem sempre aparecem de forma imediata nos indicadores, como as transformações vividas no cotidiano das comunidades, desde mudanças nas relações de gênero, os avanços na autonomia econômica das mulheres, o fortalecimento de sua participação nas decisões comunitárias até à consolidação de estratégias locais de manejo sustentável e proteção dos recursos naturais como resposta às mudanças ambientais.
Método
O trabalho foi conduzido por meio de pesquisa qualitativa em campo, com a realização de entrevistas semiestruturadas junto às mulheres participantes, coletivos camponeses e equipe técnica. A abordagem priorizou a organização analítica dos conteúdos a partir das recorrências e convergências identificadas nas falas, permitindo mapear estratégias locais, práticas de manejo sustentável e transformações nas dinâmicas comunitárias, com consistência entre as experiências relatadas e a construção do material final.
Valor gerado
Pesquisa qualitativa com entrevistas semiestruturadas | Produção de texto institucional | Documentação fotográfica em campo | Fortalecimento da visibilidade de coletivos camponeses da Bolívia junto à cooperação internacional da Espanha e Alemanha.
Ficha Técnica
Cliente: Fundación PASOS | Direção de Conteúdo, Texto e Fotografia: Gabriela Campos | Ano 2021
Coordenação geral: Armando Delgado Fernández
Em 2021, acompanhei a Assembleia da Mancomunidad de Comunidades Indígenas dos rios Beni, Tuichi e Quiquibey, realizada pela CONTIOCAP em Rurrenabaque, na Amazônia boliviana. O encontro reuniu comunidades de San Miguel del Bala, Carmen Florida, Asunción de Quiquibey e San José de Uchupiamonas, no norte da Bolívia, em torno da defesa de seus territórios frente ao avanço de megaprojetos hidrelétricos e da expansão do agronegócio.
No mesmo contexto, acompanhei iniciativas locais de meliponicultura desenvolvidas com apoio da Senda Verde, que articulam manejo sustentável, geração de renda, proteção florestal e soluções socioambientais enraizadas nos saberes tradicionais e na identidade cultural da região. A partir dessa imersão, produzi o artigo Guardiãs da Floresta, uma narrativa independente que conecta diferentes territórios latino-americanos a partir do protagonismo de mulheres indígenas na defesa da terra, da água e da soberania alimentar.
Desafio
Evidenciar não apenas os conflitos socioambientais locais, mas também a dimensão transfronteiriça da atuação das mulheres como lideranças estratégicas nesses processos.
O desafio consistia em construir uma narrativa capaz de articular experiências territoriais distintas a partir de perspectivas como a noção de corpo-território, que conecta a defesa da terra às experiências vividas nos próprios corpos.
Método
Trabalho desenvolvido a partir de imersão em campo, com acompanhamento da assembleia, registro fotográfico e escuta direta junto às lideranças e comunidades. Os relatos foram construídos ao longo dos deslocamentos pelos rios, nos intervalos das atividades e em interações cotidianas, permitindo acessar percepções e experiências que frequentemente permanecem fora dos espaços formais de fala.
A organização do material buscou identificar convergências entre diferentes experiências de resistência territorial, conectando essas narrativas em uma leitura ampliada sobre o papel das mulheres na defesa dos territórios na América Latina, centrada na formulação de corpo-território, conceito desenvolvido por feministas indígenas xinka da Guatemala.
Valor gerado
Ampliação da visibilidade de lideranças e territórios ameaçados por megaprojetos extrativista | Registro fotográfico da Assembleia da Mancomunidad e de comunidades amazônicas | Entrevistas com lideranças indígenas e jovens ativistas
Ficha Técnica
Direção de texto, pesquisa e documentação: Gabriela Campos
Entrevistadas: Ruth Alipaz Cuqui, liderança do povo Uchupiamona e articuladora da Coordenação Nacional de Defesa de Territórios Originários, Campesinos e Áreas Protegidas —CONTIOCAP (Bolívia);
Daniela Soto, integrante da Aliança Prodefensoras da ONU Mulheres e do Conselho Regional Indígena do Cauca (Colômbia).
O Mulheres em Foco forma mulheres de favelas e periferias articulando capacitação técnica, formalização de negócios e geração de renda — nesta edição, em parceria com a G10 Favelas. Em 27 edições, realizadas em 8 estados e somando mais de 2.300 horas de atividades, o projeto construiu um histórico robusto: mais de 4.500 pessoas impactadas, entre participantes das oficinas e público, e 800 empregos gerados.
Esses resultados evidenciam que, quando mulheres periféricas acessam formação técnica, ferramentas de gestão e caminhos de formalização, como os oferecidos pelo projeto, os impactos ultrapassam conquistas individuais e reverberam diretamente na economia local. Isso porque a formação atua sobre barreiras históricas de acesso ao mercado e à profissionalização, ampliando a capacidade de geração de renda de mulheres que já sustentam parte significativa da economia cotidiana de seus territórios, mas que seguem sub-representadas nos circuitos formais de renda, crédito e desenvolvimento profissional.
Desafio
Projetos com esse perfil têm impacto direto na economia local, mas enfrentam um desafio recorrente no ecossistema de financiamento: resultados sociais relevantes nem sempre se convertem, por si só, em decisão de investimento.
A NUMEN precisava ir além da comunicação de impacto. Precisava construir um argumento objetivo para financiadores: por que este projeto deve ser renovado, ampliado e considerado prioritário dentro de uma carteira de investimento social.
Método
A construção dos materiais integrou três camadas analíticas orientadas à tomada de decisão:
Valor gerado
Produção de materiais de captação, apresentações comerciais e relatórios estratégicos que reduziram a incerteza na decisão de investimento, qualificando a proposta de valor para novos patrocinadores, sustentando processos de renovação, continuidade e escala.
Ficha técnica
Direção de Conteúdo: Gabriela Campos | Direção de Arte: Vitor Sepinho | Direção Criativa e Marketing: Aline Vedana | Fotografia e Vídeo: Cachalote Filmes | Realização: Ministério da Cultura, Governo Federal por meio da Lei de Incentivo à Cultura (Rouanet)
Autoria: Gabriela Marques de Campos e Pedro Pulzatto Peruzzo
Coletânea de Artigos, Volume.1, ano 2018, do Ministério Público Federal, coordenado pela 2ª Câmara de Coordenação e Revisão, com organização de Márcia Noll Barboza, Procuradoria Geral da República, Brasília-DF.
Tendo como pano de fundo a discussão sobre a escravidão contemporânea na indústria têxtil, o artigo procura demonstrar a conexão direta das grandes marcas com a realidade do trabalho escravo, que cria obstáculos intransponíveis ao desenvolvimento social de trabalhadores da parcela mais pobre da sociedade e dos migrantes latinoamericanos em busca de melhores condições de vida, vulnerabilizados pela indocumentação e pela permanência irregular.
MULHERES NO AUDIOVISUAL, projeto original da Numen Produtora, promoveu cursos de produção audiovisual, protagonizados nesta edição por mulheres quilombolas do nordeste brasileiro, a partir do fomento à educação de qualidade, igualdade de gênero e capacitação para o mercado da Economia Criativa.
Comunidades: Associação dos Remanescentes de Quilombos de Alto Alegre e Adjacências - Horizonte/CE; Quilombola da Base - Pacajus/CE
Relatório Patrocínio Incentivado 2023 | Projeto Mulheres no Audiovisual para Numen Produtora | Lei de Incentivo à Cultura (Rouanet) - Governo Federal
Direção de Conteúdo e Texto: Gabriela Campos | Direção de Arte e Diagramação: Pedro Cardamone | Fotografia e Vídeo: Cachalote Filmes | Direção Criativa e Head de Marketing: Aline Vedana | Produção Executiva: Numen Produtora
*Dados e informações de cartáter sensível e/ou sigiloso podem ter sido suprimidos desta apresentação para fins de proteção legal
Relatório Patrocínio Incentivado para Numen Produtora | Projeto Mulheres em Foco 2 (2023) | PRONAC, Lei de Incentivo à Cultura (Rouanet)
Comunidades: Santaluz-BA; Barrocas-BA; Teofilândia-BA; Riacho dos Machados-MG; Porteirinha-MG; Belo Horizonte-MG; Contagem-MG; Godofredo Viana-MA
Direção de Conteúdo e Texto: Gabriela Campos | Direção de Arte e Diagramação: Pedro Cardamone e Vitor Sepo | Fotografia e Vídeo: Cachalote Filmes | Direção Criativa e Head de Marketing: Aline Vedana | Produção Executiva: Numen Produtora
MULHERES EM FOCO, projeto original da Numen Produtora, promoveu oficinas de fotografia exclusivas para mulheres em condição de vulnerabilidade social, a partir do fomento à educação de qualidade, igualdade de gênero e capacitação para o mercado da Economia Criativa, com a realização de palestras com profissionais da área e uma exposição final do portfólio produzido pelas alunas, em 7 cidades brasileiras.
*Dados e informações de cartáter sensível e/ou sigiloso podem ter sido suprimidos desta apresentação para fins de proteção legal
Relatório Patrocínio Incentivado para Numen Produtora | Projeto Mulheres em Foco (2022) | PRONAC, Lei de Incentivo à Cultura (Rouanet)
Comunidades: Teresina-PI e Itaquaquecetuba-SP
Direção de Conteúdo e Texto: Gabriela Campos | Direção de Arte e Diagramação: Pedro Cardamone e Vitor Sepo | Fotografia e Vídeo: Numen Produtora | Head de Marketing: Monny Carvalho | Produção Executiva: Numen Produtora
MULHERES EM FOCO, projeto original da Numen Produtora, promoveu oficinas de fotografia exclusivas para mulheres em condição de vulnerabilidade social, a partir do fomento à educação de qualidade, igualdade de gênero e capacitação para o mercado da Economia Criativa, com a realização de palestras com profissionais da área e uma exposição final do portfólio produzido pelas alunas.
*Dados e informações de cartáter sensível e/ou sigiloso podem ter sido suprimidos desta apresentação para fins de proteção legal
Gabriela Campos, 32 anos, é comunicadora e advogada com atuação no campo socioambiental e de direitos humanos, baseada em Campinas (SP).
Com mais de 8 anos de experiência, colaborou com organizações e iniciativas de impacto social no desenvolvimento de processos em campo, documentação e sistematização voltados à incidência, comunicação institucional e mobilização de recursos — com atuação em comunidades brasileiras e latinoamericanas.
É bacharela em Direito pela PUC-Campinas e coautora de “Trabalho escravo urbano: o caso dos bolivianos explorados pela indústria têxtil no Brasil”, publicado pela Procuradoria-Geral da República em coletânea do Ministério Público Federal (2018).
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E-mail: gabriela.mdecampos@gmail.com